quarta-feira, julho 23

[Lançamentos] Novo Conceito - Agosto





\\o Boas Leituras o//

Apenas Ariano - Cabeça

Acredito que quando uma pessoa talentosa deixa este mundo, ela nunca parte de vez. Quando uma pessoa talentosa vem a este mundo, vem para deixar marcas. E Ariano Suassuna nos presenteou com sua inteligência e riso, com sua dedicação e amor à nossa região e suas belezas. Fiquem aqui registrados alguns de seus pensamentos e trechos de obras.

Segue em Paz, Mestre.

Cumpriu sua sentença. Encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo, morre. (O Auto da Compadecida)
Terceira idade é para fruta: verde, madura e podre.
É claro que, objetivamente, eu sei que vou morrer. Não sei se você já notou, mas nenhum de nós acredita que morre, o que é uma bênção. A gente se porta a vida toda como se nunca fosse morrer, o que é muito bom. Porque se a gente for pensar na morte como uma coisa fundamental, inevitável e próxima, a gente vai perder o gosto de viver, vai perder o gosto de tudo. Eu digo isso procurando verbalizar uma inclinação que acho que é de todo mundo. A gente tem uma tendência a acreditar que não morre. [Pensar que vai morrer] prejudica um pouco a qualidade de vida, e eu sou um apaixonado pela vida, amo profundamente a vida. Olhe que essa maldita tem me maltratado, mas eu gosto dela. (ARIANO SUASSUNA, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, 23/12/2013.)
Não troco meu oxente pelo OK de ninguém.
Tenho duas armas para lutar contra o desespero, a tristeza e até a morte: o riso a cavalo e o galope do sonho É com isso que enfrento essa dura e fascinante tarefa de viver.
O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso.
Que eu não perca a vontade de ter grandes amigos, mesmo sabendo que, com as voltas do mundo, eles acabam indo embora de nossas vidas.

Apenas Ariano - fico com meu "Oxente"

Olha, há momentos em que o mundo deveria parar.
Simplesmente, parar de girar. Ficar seus pés invisíveis no mesmo lugar e parar para ver o que acontece ao seu redor. É com muito desprazer e até muita raiva, que noticio a partida de Ariano Suassuna ao Plano Superior.

Ele dispensa qualquer apresentação. Não falo porque escreveu inúmeras obras de renome, entre elas, o Auto da Compadecida e que, mesmo acusado injustamente de plágio por esta, soube driblar a maldade do mundo e seguiu em frente; não é porque é tão paraibano e afeiçoado às belezas agridoces de Recife quanto eu; não é por causa do sucesso que alcançou no decorrer da vida. É por quê, a cada minuto de sua vida, até mesmo no Festival de Inverno em que ministrou uma aula-espetáculo... ele jamais abandonou sua raiz forte: a cultura nordestina. Até a semana passada - e sei que até o último segundo de sua vida -, ele fez questão de levar adiante os causos e ensinamentos permeados pelo amor ao Nordeste.

Vivemos em um país em que as pessoas chegam à região Sudeste e começam a mudar de sotaque para não sofrerem algum tipo de discriminação; abandonam as suas raízes, com medo do que os outros vão pensar, de como serão avaliados, e com pavor das consequências de "não pertencer àquele lugar". Mas alguns poucos, raros, como Ariano, não precisam ter medo de algo tão pequeno - porque pessoas como ele são maiores do que esse tipo de coisa. Não abandonam seu "Oxente".

Em uma semana inacreditável para a Literatura - quando perdemos três grandes nomes, que deixaram a canção poética do seu talento registrada no país, nos leitores, em todos nós - deixo aqui meu canto de homenagem ao mestre Ariano.

Não tenho talento para o cordel ou para fazer as pessoas gargalharem, mestre, apenas deixo um agradecimento, uma consideração... àquele que me fez rachar de rir em tantos momentos, com suas palavras e livros; que me maravilhou com a sua inteligência e me deixou fascinada com o seu orgulho em ser um nordestino; por ser um paraibano que não colocou a culpa nas dificuldades, tomou coragem e construiu junto à sua própria história, um legado para a Literatura Brasileira. Foi simples até o fim.

"... Só sei que foi assim."

E sim, o mundo deveria parar, agora. 
Ele gira rápido demais, e muitas vezes, nem nos damos o direito de ver uma volta.
Deveria entrar em recesso hoje. O meu parou.
O encontro fica para uma outra vida, mestre.

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